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Vídeo do Bonner no Facebook do Jornal Nacional mostra que TV vai virar 2ª tela

Mais de 460 mil pessoas pararam para ver no Facebook o vídeo em que William Bonner dava os principais destaques do Jornal Nacional desta quinta-feira, 18/12. Provavelmente gravando o material do seu próprio celular, com tremeliques e giros que fizeram muitas aulas de telejornalismo escorrerem pelo ralo, ainda assim o vídeo é sensacional e conquistou um bocado de interações: quase 10 mil curtidas, mais de 300 comentários, ultrapassando 1300 compartilhamentos.

É sensacional porque mostra que, aos poucos, a TV também vai entendendo a essência da web, que acredita mais na transparência do que no padrão Globo de qualidade de imagem. São 48 segundos de um dos maiores âncoras do telejornalismo brasileiro fazendo um teaser da programação de um jornal que aconteceria poucas horas depois daquela postagem.

Além disso, a publicação aparece incorporada dentro do próprio Facebook, e não remetendo a canais da própria Globo, como costumava ser o padrão da emissora, o que ajuda a aumentar o alcance das postagens (quem é analista de mídias sociais já sacou essa brechinha que o Zuck deixou para quem administra páginas). Lógico que um vídeo-selfie de William Bonner é emblemático, mas esse tipo de ação não é uma exclusividade do Jornal Nacional. A emissora já vinha fazendo diversas postagens do tipo 'teaser da programação' nas redes sociais do canal GloboNews, com personalidades como Sandra Coutinho e Maria Beltrão convidando o webspectador para ir para a tela da TV em um determinado horário.

Na programação da TV aberta, César Tralli já aparece familiarizado com o palitinho de selfie e faz um vídeo de quase 1 minuto sobre a pauta do consumo de água na capital paulista, Carlos Tramontina dá uma prévia do jornal que vai ao ar mais tarde, e até os apresentadores do Bem Estar convidam o pessoal da web a ligar a TV para assistir ao programa. Acredito que isso evidencie algo que muitos já haviam percebido: 2ª tela não é o smartphone ou o computador, mas sim a TV. "A aplicação inovadora pode facilitar, enriquecer e potencializar um produto jornalístico ou publicitário. E, de verdade, pouco importa se a TV é a primeira ou a segunda tela. O vídeo de Bonner é um conteúdo que rompe o parâmetro da narrativa transmidiática e instaura uma nova forma de contar histórias", opina Daniele Rodrigues, pesquisadora de comunicação digital e Real Time Conceptor na Flag.

"Hoje, mais do que linguagem convergente, a demanda é por narrativas com enredos disformes, anacrônicos, não controláveis, com espaço desterritorializado e com papéis sociais negociáveis", completa.

"Mesmo com um delay grande, o telejornal mais tradicional do Brasil finalmente sai da zona de conforto e se expõe. Mas de verdade, é pouco. Pouco perto do que é possível. Que a inovação passe a ser parte do processo de produção de notícia, mais do que da reverberação. Senão continuaremos explorando apenas a camada narrativa mais básica da comunicação digital, awareness", provoca ela.

Há algumas semanas, em um papo via Twitter com a Rosana Hermann, do R7, comentamos sobre a transformação de alguns programas, tanto na TV quanto na rádio, que foram se tornando cada vez mais pessoais, com o apresentador, âncora e repórteres não tão distantes como se estivessem em um pedestal, mas se mostrando gente como a gente. De certo modo, a mesma avaliação acaba valendo para esses novos vídeos teasers postados nas redes sociais - o que o público quer é perceber o bastidor, entender aquela personalidade como alguém real, e não montado, ver como as coisas funcionam sem aquela pompa toda do estúdio, ouvir o jornalista falar de verdade, e não ler um teleprompter. É, nas palavras da própria Rosana, "uma integração dos veículos à linguagem das redes sociais".

É claro que aos poucos as interações e teasers vão se tornando mais profissionais e bem acabados, ou até melhor planejados. Em uma das pautas do "Em Pauta" da GloboNews, Jorge Pontual aparece em um vídeo com vinhetinha final e tudo, totalizando 15 segundos cravados - imagina se foi feito para o Instagram, né?

Acredito que, a longo prazo, o resultado vai ser algo semelhante ao que é feito no Estudio I, com Maria Beltrão, ou por Fernanda Gentil, do Globo Esporte (com um vídeo mais amador) - uma mistura saudável entre seriedade e informalidade, por mais incompatíveis que elas possam parecer. Isso dá para perceber em interações como essas abaixo, sem teleprompter para ler textinho pronto, uma interação mais solta, mas sem perder o foco no conteúdo.

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