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Cinco minientrevistas que resumem o evento Portugal Smart Cities.

Bernd Heinrichs, vice-presidente da Bosch e um dos principais oradores do "Portugal Smart Cities Summit 2019" fala na primeira pessoa sobre a experiência no ciclo de debates e deixa dicas e aponta as questões-chave que devem marcar a agenda.


Foto do vice-presidente da Bosh
Bernd Heinrichs, vice-presidente da Bosch


Personalização, automação, conectividade e eletrificação. As questões-chave das cidades inteligentes
Bernd Heinrichs, vice-presidente da Bosch

Assistir e participar na conferência sobre cidades inteligentes em Portugal tem sido uma grande experiência, onde estamos em contato com dezenas de municípios de Portugal e a discutir a necessidade de inovar. A necessidade da Bosch em mudar e se transformar digitalmente é semelhante à dos municípios. Ambas as partes concordaram com isso. A competição por clientes/consumidores é tão difícil nas cidades como é na mobilidade. Os novos concorrentes (cidades, fabricantes de equipamento original (OEMs), fabricantes, escolas) estão por todo o lado.

Na minha apresentação, comecei por focar os pré-requisitos chave para evitar ruturas:

*Ter uma mente aberta!

* Deixar de lado os velhos hábitos!

* Ser hiperconsciente!

Depois expliquei que a transformação digital não é apenas focada externamente e precisa começar internamente e no lado cultural. A transformação interna e a mudança cultural são provavelmente ainda mais exigentes que o foco externo.

O fundamental para um interveniente na mobilidade, como a Bosch, é deixar de ser um participante de componentes de primeira linha para se tornar um facilitador para a mobilidade de serviços através de conhecimentos que vão além do veículo.

O mundo da mobilidade pode ser descrito por quatro diferentes temas-chave: personalização, automação, conectividade e eletrificação. Acreditamos veemente que nenhuma das opções acima irá acontecer sem as outras. Existe, hoje em dia, uma enorme tendência para a Mobilidade Partilhada.

Para todos nós, em todas as indústrias, há uma maneira comum de abordar as questões: *fazê-lo em conjunto com os outros e co-inovar com parceiros influentes para vender*.


As cidades são hoje o coração da Humanidade
Pedro Dias, Diretor de Estratégia da Galp


Foto de Pedro Dias, Diretor de Estratégia da Galp
Pedro Dias, Diretor de Estratégia da Galp


As cidades são hoje o coração da Humanidade, com mais de metade da população mundial a viver em áreas urbanas. Em 2050 deverão ser mais de 6 mil milhões de pessoas a cruzarem-se diariamente nas ruas de todo o mundo. As cidades são também responsáveis, direta e indiretamente, por mais de dois terços do consumo mundial de energia e das emissões de carbono associadas, tendo um papel determinante no futuro do sector energético e no sucesso das estratégias de descarbonização.

A tecnologia e a acelerada digitalização em curso em todas as áreas de atividade da economia urbana têm vindo a possibilitar o desenvolvimento de soluções que permitem uma melhor utilização dos recursos existentes nas cidades, melhorando a qualidade de vida dos seus cidadãos e tornando-as mais sustentáveis. Ao longo das próximas décadas vamos necessariamente assistir a uma transformação do ecossistema urbano, com o sistema energético no centro destas mudanças.

Ao nível da produção e gestão de energia, as soluções descentralizadas para geração de energia solar e eólica com possível armazenamento na forma de baterias ou hidrogénio, associadas a tecnologia peer to peer, com contadores inteligentes e gestão dinâmica de consumos, poderão devolver aos cidadãos o poder de decidir, tornando-se no limite autossustentáveis de forma isolada ou integrados em microredes. Em teoria, estas novas soluções poderão também reduzir as necessidades de investimento na rede elétrica, substituindo parte do papel hoje assumido, por exemplo, pelos produtores através dos serviços de garantia de potência ou de regulação da tensão. O modelo descentralizado cria no entanto desafios acrescidos do lado da rede pública, pela necessidade de interação com milhares de pequenos produtores-consumidores e pela previsível redução de tráfego e consequente receita, obrigando a uma reflexão sobre futuros modelos de financiamento das redes elétricas.

Na mobilidade, será necessário reduzir o congestionamento e o seu respetivo impacto ambiental. Além do papel variável que os transportes públicos terão, em função do contexto específico de cada cidade, a revolução tecnológica em curso nos automóveis - bem sintetizada pelo acrónimo inglês CASE, que significa Connected, Autonomous, Shared and Electric - deverá conduzir a um aumento significativo da utilização efetiva dos veículos, uma redução da energia consumida e uma melhoria da qualidade do ar, suportada ainda por soluções de micromobilidade de proximidade, como sejam as bicicletas ou as trotinetes. Subjacente a esta revolução estão as soluções MaaS (Mobility as a Service), soluções integradas de mobilidade que permitem uma otimização personalizada no tempo e no espaço do percurso, permitindo ganhos de eficiência para o sistema.

No entanto, persistem dúvidas sobre qual o modelo de carregamento das viaturas elétricas que, com a massificação desta opção, melhor balanceará as necessidades dos utilizadores com a necessidade de investimento na rede elétrica. As viaturas elétricas poderão também vir a servir como alternativa adicional para armazenamento e estabilização da rede elétrica caso a tecnologia Vehicle to Grid se materialize e se utilizem as baterias dos carros para balanceamento da oferta e procura de eletricidade ao longo do dia.

Nos edifícios, a omnipresença de sensores e aparelhos eletrónicos poderá permitir uma comunicação com sistemas de controlo e otimização e uma adaptação permanente dos espaços às condições de utilização e conforto mais adequadas, reduzindo em simultâneo os custos energéticos. A possibilidade de geração e armazenamento obrigará ao desenvolvimento de soluções que giram todos os fluxos energéticos. Por exemplo, num condomínio que tenha painéis solares, terão de ser criadas regras para definição do destino da energia produzida, as quais podem depender do preço em cada momento da energia na rede e da capacidade dos pontos de consumo de absorverem picos de produção.

Em suma, os sistemas energéticos das cidades do futuro vão ter elevados fluxos de informação e processamento de dados, fluxos energéticos bidirecionais, nos quais se esbatem as figuras de produtor e consumidor, necessidades muito maiores de soluções de armazenamento, gestão ativa de consumos e redes mais descentralizadas, dando origem a uma realidade muito mais complexa e dinâmica.


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