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Bicicletas podem ser o caminho certo para tornar as cidades mais sustentáveis

No dia 03 de junho, o jornalista Pedro Doria publicou em sua coluna no O Globo uma matéria com o título "Isso, sim, é revolucionário". Tratava-se do mais novo produto do Google, um carro que não precisa de motorista e que, por isso, mudaria o modo como as cidades se movimentam. Será?




De fato, o carro em questão é inovador. Só que não é progressista.

Enquanto o mundo está precisando de mudanças radicais para salvar o clima e o meio-ambiente, mais carros estão sendo vendidos. É mais poluição e mais gastos. Temos um milhão de carros hoje. A estimativa é dois milhões na próxima década. Se já é caótico agora, imagina em 2020.

transporteativo.org.br

Veja o quanto cada meio de transporte ocupa de espaço



Para Pedro, carros que andam sozinhos e ficam à disposição dos motoristas (que com um clique no celular conseguem convocar o mais próximo) reinventariam "a infraestrutura de transportes da cidade". Ok. Mudou-se a maneira como todos se locomovem na cidade. Mas o sistema de trânsito continuaria o mesmo ou pior. Ou seja: horas de engarrafamento causadas pelo aumento da quantidade de carros, já que motoristas que não sabiam dirigir e por isso não tinham automóvel, agora poderão.

CPF (Cycling Promotion Fund)



O jornalista acredita que a cena dos carros andando enquanto os "motoristas" leem, namoram, dormem e ouvem música é quase inimaginável. E é, de fato. Porém, há uma cena que se aproxima mais ainda de um imaginário digno de filme. Cidades que reservam mais espaço em suas vias para bicicletas do que para carros. Professores, empresários, médicos que utilizam a bicicleta para chegar às escolas, empresas e hospitais. Menos trânsito, mais saúde, mais economia para a cidade. Mudar a mentalidade de toda uma sociedade viciada em carros é muito mais revolucionário.

Marco Aurélio

Esta foto foi tirada na semana passada, no Vale do Silício. Mas, ao contrário do que sugere o projeto, o carro está sendo dirigido por um motorista.



É curioso usar a palavra revolução para falar de algo tão antigo e simples quanto a bicicleta. Seus benefícios já são mais do que conhecidos: são mais baratos, mais saudáveis e menos poluentes do que o carro. Mas há um benefício que talvez seja mais importante do que todos: ocupam menos espaço.

A bicicleta é uma ferramenta perfeita para uma real mudança. Mas, apesar do Rio estar em 18º lugar em relação as cidades que mais utilizam bicicleta e de ter um ecossistema que favorece a utilização deste meio de transporte, ninguém enxerga os ciclistas como solução viável para resolver questões do trânsito e meio-ambiente.

O motivo é simples: o sistema econômico não apoia a ideia da bicicleta porque a bicicleta pode mudar o sistema econômico.

Estudos globais têm mostrado que o investimento em infraestrutura de ciclismo realmente economiza dinheiro público da sociedade por quilômetro pedalado, mas nossa economia é pautada por combustível e indústria automobilística. Para o governo, não compensa.

A questão não é amar as bicicletas e odiar os carros. O que importa é encontrar o que pode tornar a cidade melhor e mais saudável. O barateamento não é apenas nos custos, mas também no espaço.

Mesmo que novos carros estejam livres de emissões, o maior desafio da dependência do carro é o problema de espaço. Não há espaço suficiente nas estradas e estacionamentos nas cidades para que todos dirijam. O tempo perdido em engarrafamentos aumentam o estresse e significam menos horas úteis.

extra.com.br

Infográfico de uso da bicicleta nas cidades



Pode ser uma mudança difícil, porém...

Copenhague é um ótimo exemplo de cidade que conseguiu desenvolver uma cultura da bicicleta. Começou nas décadas de 20 e 30, com senhoras de classe média voltando para casa de bicicleta depois de ter ido às compras, pedalando ao lado de banqueiros ou jovens artesãos. Há quase cem anos, pessoas de todas as classes sociais andam de bicicleta em Copenhague. Atualmente, 50% da população escolhe as duas rodas para se deslocar todos os dias. Há mais bicicletas que habitantes na capital, que utilizam quatrocentos quilômetros de ciclovias. Durante os engarrafamentos, é comum os ciclistas ultrapassarem os motoristas. Até uma autoestrada ciclável já é realidade. O mais interessante é que autoridades públicas dão o exemplo: policiais não só andam de bicicleta pelas ruas, como cumprimentam a todos com um sinal que significa "energia positiva" para todos.

O documentário "Bikes vs Cars" ainda não foi lançado, mas discorre sobre essa temática. O trailer dá uma boa pista de como o uso da bicicleta como alternativa viável de transporte pode se tornar uma realidade em breve.

BIKES vs CARS TRAILER from WG Film on Vimeo.



Isso, sim, é revolucionário!

Marcos Freitas e Priscilla Cruz

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