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As maiores empresas da Internet estão se dividindo em pequenos pedaço

No ano passado, o Facebook tentou - e fracassou - ao fazer com que os usuários de Android usassem o Facebook como a principal interface para seus telefones com o aplicativo do Facebook Home. Agora, em vez de pensar grande, o Facebook está pensando pequeno.


Foto do Mark Zuckerberg

Facebook está caindo aos pedaços. De propósito.

No final de janeiro, a companhia lançou o "Paper", um aplicativo que melhora a aparência do seu feed de notícias. Mais recentemente, a empresa disse que vai criar um aplicativo separado para a sua função de mensagens, que é usado por cerca de 200 milhões de pessoas a cada mês. E, embora muitas pessoas não usem, o Facebook também oferece um aplicativo de câmera e um aplicativo de "Poke" (para cutucar as pessoas). A empresa acaba de comprar uma empresa chamada Move (paywall), que faz um aplicativo rastreador de fitness.

O Facebook não é o único nessa situação. O LinkedIn oferece cinco aplicativos separados: um para seus contatos; um para notícias (contrapartida para o Paper do Facebook); um especificamente para os recrutadores; um aplicativo para Slideshare (uma ferramenta de compartilhamento de apresentação recentemente adquirida pela empresa); e o principal, o app all-inclusive do LinkedIn. O Google sempre ofereceu vários aplicativos, e a recente partida do chefe do Google+ leva alguns a acreditar que ele vai dividir a rede social fracassada em aplicativos separados.

Capturando o clima predominante, Mark Zuckerberg, chefe do Facebook, explicou seu pensamento em uma recente entrevista para o New York Times (paywall):

Então, o Facebook não é só uma coisa. No desktop onde crescemos, o modo que fez mais sentido era ter um site, e ter diferentes formas de compartilhar construídas como recursos dentro de um site. Então, quando migramos para o celular, foi onde nós começamos este grande aplicativo azul que aproximou a presença do desktop.

Mas acredito que no mobile as pessoas querem coisas diferentes. A facilidade de acesso é algo muito importante. Assim como ter o controle sobre quais coisas você irá receber notificações. No mobile há um grande prêmio ao criar experiências de primeira classe com um único propósito.



Menos é mais

"Experiências de primeira classe com um único propósito" é uma maneira pesada de dizer que o Facebook, e outros, estão simplesmente se movendo com o tempo. As pessoas usam computadores por horas, muitas vezes em um único local. A natureza móvel do laptop altera esse comportamento de alguma forma, permitindo que os usuários trabalhem em curtos períodos de tempo, já que eles movem o laptop de acordo com o lugar que estão.

Smartphones tornam ainda mais fácil esse entra e sai. As pessoas usam por poucos minutos, às vezes segundos, de cada vez. Mas fazem isso dezenas de vezes por dia. De acordo com a Flurry, empresa de pesquisa que acompanha o uso de aplicativos móveis, os "usuários regulares" verificam seus smartphones até 15 vezes por dia. Essas pessoas são responsáveis por pouco mais da metade da amostra da Flurry. Pouco menos de um terço são "super usuários" que checam seus smartphones entre 16 e 60 vezes por dia. E uma em cada dez pessoas, quem a Flurry chama de "viciados", verificam seus telefones mais de 60 vezes por dia.

Os usuários gostam dos aplicativos que servem para o que eles estão procurando, sendo de mensagens, notícias ou o número de passos que andaram em tal dia. Um aplicativo multifacetado acrescenta passos indesejáveis para o processo. E ofertas inchadas podem ser uma distração.

"Toda vez que um produto ou empresa opta por apenas pegar seu uso de desktop e reduzi-lo a dois-e-meio ou a tela de três polegadas, não é uma estratégia viável a longo prazo", Deep Nishar, chefe de produto do LinkedIn e experiência do usuário, disse à Quartz. "Eles querem entrar, terminar a sua tarefa, e depois passar para a próxima coisa."


2 + 2 = 5

De alguma forma, o mobile está fazendo agora às empresas de internet o que a web já fez a inúmeras outras indústrias. As duras exigências de atrair e manter a atenção dos usuários significa que a idade do pacote está chegando ao fim. Esta é a verdade do conteúdo escrito e vídeo, onde artigos e vídeos encontrados em redes sociais estão destruindo os modelos de negócios embalados de jornais, revistas, e da indústria de vídeo-locação. É a verdade também da publicidade, com anúncios de grande alcance substituídos por um bando de sites e comunidades especificamente orientadas.

As empresas que nasceram na web têm reagido mais rápido do que seus antecessores. Eles estão rompendo-se antes que qualquer outra tenha a chance. O bando de aplicativos prometidos pelo Facebook irá incluir alguns que nem sequer tem a marca Facebook (paywall). Nishar diz que o LinkedIn vem operando uma "estratégia multi-app" por alguns anos já, e vai liberar mais este ano. Dropbox, até recentemente, um aplicativo de finalidade única que o ajudou a esconder arquivos on-line, também está entrando em ação com um conjunto de aplicativos.

O resultado será uma experiência de usuário mobile muito diferente, em que as grandes empresas tentam dominar a atenção dos usuários - e medir, controlar e rentabilizar o seu comportamento - e não por possuir a plataforma subjacente, como Google e Apple, mas tornando-se onipresentes em seus telefones. A boa notícia é que os usuários serão capazes de escolher quais os serviços que eles gostam e que eles podem viver sem, com distinções cada vez mais específicas. A má notícia é que os maiores operadores podem usar sua influência para excluir concorrentes - o que parece uma federação de aplicativos que podem ser ligados por um único sign-on ou outras medidas que, embora conveniente, também tornam mais difícil para os outros ganharem espaço na tela. E por falar em espaço de tela, espere o seu ficar muito mais confuso, uma vez que os serviços unificados irão dividir-se em vários menores.

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