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Perspectivas para 2017 no software empresarial em Portugal

As aplicações de BI deverão centrar-se mais no usuário e menos nas tecnologias, enquanto as de ERP devem incorporar maior capacidade analítica, nas suas funcionalidades.

O software empresarial - nomeadamente de BI, CRM, ERP e automação de marketing - tem evoluído substancialmente ao longo dos últimos seis anos. Passou a ser distribuído em "cloud computing" (ou soluções híbridas), passou a incorporar as redes sociais, tornou-se móvel, só para dar alguns exemplos.


Ilustração de um ERP


Tendo em conta este panorama de transformação, o que planejaram os fabricantes para o corrente ano?

Business Intelligence (BI)

Mais concentrado no utilizador e menos nas tecnologias. "As plataformas de BI modernas são desenhadas para o usuário", diz Francois Ajenstat, chief product officer na Tableau Software. "É intuitivo e possibilita o auto-serviço, em oposição às plataformas tradicionais que obrigavam à necessidade de profissionais de Ti para funcionar".

"A maior tendência no BI será tornar-se mais fácil para os utilizadores médios", afirma Murray Ferguson, diretor, Pro-Sapien Software. "Já vimos a tendência a tomar forma, por exemplo, na plataforma de BI da Microsoft. Em breve será possível fazer perguntas (por escrito ou oralmente) para encontrar os resultados solicitados, por oposição a pedidos feitos em SQL", acrescenta. Qualquer um conseguirá gerar relatórios e extrair dados, sem necessidades de correr o SQL. O utilizador poderá pedir para "mostrar todos os pedidos em aberto" e estes irão surgir".

Os resultados das ferramentas de BI vão ser cada vez mais em "tempo real", algo que já era solicitado pelos utilizadores há muito tempo, através de algoritmos de "machine learning" automatizados, como avança David Drai, co-fundador e CEO da Anodot.

Em 2017, vão surgir soluções de BI mais econômicas com funcionalidades mais ou menos semelhantes às soluções de maior dimensão, explica Ian Khan (Solgenia).

As PME terão ainda acesso, em 2017, a soluções de BI mais econômicas que vão surgir e que disponibilizam funcionalidades mais ou menos semelhantes às soluções de maior dimensão, como explica Ian Khan, executivo na Solgenia.

CRM

O CRM Móvel vai continuar a ganhar tracção. "Assistimos a uma contínua migração para soluções móveis à medida que cada vez mais empresas optam por sistemas de CRM assentes na cloud", afirma Victor Sanchez, director de vendas da ForceManager. O CRM Móvel "permite aos vendedores ter acesso aos dados do cliente sempre que necessário. Simplesmente tiram o dispositivo do bolso, registam os detalhas das vendas e voltam a guardá-lo". Também os gestores de vendas poderão ter acesso em tempo real ao panorama de vendas das suas equipas.

O reconhecimento de voz vai também influenciar o CRM em 2017. As soluções vão tornar-se mais inteligentes e automatizadas, com capacidades de reconhecimento de voz e de interpretar conteúdos e gerar ações com base em conteúdos", antecipa Loretta Jones, vice-presidente de Marketing da Insightly. Tal irá permitir que os vendedores "gastem mais tempo a interagir com os clientes, reduzindo o tempo gasto no preenchimento de formulários manualmente".

A análise preditiva vai permitir "dar ao cliente o que precisa antes de este se aperceber dessa necessidade" em vez de "disponibilizar alguma coisa a alguém que talvez possa vir a querer comprar". Martin Schneider (SugarCRM).

Analítica preditiva e inteligência artificial são outros pilares do CRM em 2017. Há muitos anos que o mercado acena com estas promessas, avança Martin Schneider, evangelista na SugarCRM.

"Mas, à medida que mais empresas abandonam os modelos tradicionais de Software-as-a-Service (SaaS) optando por soluções de CRM e armazenamento em "cloud computing", os obstáculos que impediam verdadeiras iniciativas de analítica preditiva, relacionados com a transferência e armazenamento, desaparecem".

O responsável acrescenta que "as empresas que querem de facto conhecer melhor os clientes e apresentar serviços verdadeiramente pró-ativos serão as primeiras a utilizar as ferramentas de analítica preditiva". Schneider considera que estas soluções serão fundamentalmente aplicadas na retenção e serviço ao cliente. Na prática "dar ao cliente o que precisa antes de este se aperceber dessa necessidade" em vez de "disponibilizar alguma coisa a alguém que talvez possa vir a querer comprar", explica.

Muitos fabricantes de CRM estão também a enriquecer as plataformas com inteligência artificial (AI), avança Chris Matty, CEO da Versium. Os fabricantes acreditam que com a AI, as empresas terão capacidade de promover experiências mais personalizadas e previsíveis ao longo de toda a relação com o cliente, desde as vendas ao serviço, passando pelo marketing. A inteligência artificial começará a ter um "impacto substancial no mercado de CRM, como um todo", prevê. "À medida que os clientes começam a comparar os fornecedores com base nas capacidades de AI e análise de dados das soluções, os fabricantes irão provavelmente perder ou ganhar clientes e receitas como base nas idiossincrasias das suas ferramentas de análise de dados e machine learning", conclui.

ERP

A analítica integrada nas aplicações de ERP será uma realidade em 2017. De acordo com Colleen Smith, vice-presidente e diretora-geral da OpenEdge Progress, "as aplicações ERP vão integrar um motor de analítica para responder aos elevados requisitos de gestão de dados operacionais".

Muitas empresas vão precisar adicionar mecanismos de análise à sua infra-estrutura existente, porque, provavelmente, os sistemas de ERP que estão a utilizar foram implementados há mais de uma década", avança Colleen Smith (OpenEdge Progress).

Estes motores devem ter a capacidade de analisar dados e de os apresentar claramente, não obstante serem provenientes de uma miríade de fontes. Muitas empresas vão no entanto, precisar adicionar mecanismos de análise à sua infra-estrutura existente, porque, provavelmente, os sistemas de ERP que estão a utilizar foram implementados há mais de uma década".

A visualização de dados vai tornar-se numa funcionalidade cada vez mais relevante, à medida que os grandes fornecedores de ERP compram e desenvolvem sistemas integrados de software/hardware externos que permitem visualizar resultados analíticos em painéis de informação, avança Monica Georgieff, directora de Marketing da Kanbanize.

Finalmente, mais mobilidade. "Os espaços de trabalho modernos têm pessoas a trabalhar remotamente e fora das horas tradicionais de trabalho", diz Sheila Lindner, presidente da Octacom. Como resultado, será premente implementar capacidades de mobilidade nas soluções de ERP em 2017, com muitas soluções a diminuírem de tamanho, sem comprometer a capacidade de análise ou de armazenamento, para permitir aos empregados um acesso facilitado a todas as informações e funções através de dispositivos móveis".

Automação de marketing

Em 2017, com a ajuda de tecnologias de análise preditiva, a automação do marketing vai desenvolver-se e tornar-se num "automóvel auto-conduzido para as empresas, antecipando os comportamentos dos consumidores, receitando a quem dirigir determinada oferta, quem envolver e com o quê", prevê Andy MacMillan, CEO da Act-On Software.

Por isso, o software de automação de marketing "vai reclamar um lugar de maior relevância nas empresas, transformando a forma como as empresas comunicam e se envolvem com os 'stakeholders', desde a imprensa aos analistas e empregados, dos clientes aos potenciais clientes passando por parceiros", conclui.

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