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IoT bem afinada só em 2016

Vários grupos industriais foram constituídos em 2014 em torno do conceito e parecem orquestras em afinação. Provavelmente haverá tantos, daqui a um ano, como atualmente.

Se a Internet das coisas, ou Internet of Things (IoT), não proliferou tanto quanto se previa durante 2014, pelo menos surgiram vários grupos industriais interessados em promover uma maior normalização tecnológica. Pelo menos cinco iniciativas nasceram para trazer ordem à Internet das coisas e outras, lançadas no final de 2013, descobriram as pernas para andar.


Ilustração para IoT - Internet das coisas


Ironicamente isso causou uma certa confusão num setor já vasto e multifacetado. Infelizmente, todos os grupos, provavelmente, vão existir daqui a um ano, também ‒ talvez ainda mais deles.

Mas os produtos de IoT de diferentes fornecedores terão, eventualmente, de falar a mesma língua, em algum nível. Assim, os fornecedores estão ansiosos por construir alguma dinâmica subjacente às tecnologias a serem lançadas.

Não querem esperar por organismos de normalização formais para construir o equivalente à família IEEE 802.1, de especificações para Wi-Fi, disse o analista Patrick Moorhead da Moor Insights & Strategy. Até as normas mais formais da IoT serem terminadas, provavelmente em 2017, os fabricantes vão unir-se para estipular aquelas vigentes na prática, prevê.

Nem todas as organizações que se formaram no ano passado querem, na verdade, desenvolver especificações próprias. Alguns querem promover a harmonia entre as iniciativas já formadas e há outros cujos esforços se sobrepõem.

No entanto, a cacofonia de vozes a clamarem por ordem na Internet das coisas provavelmente serão um coro harmonioso durante o próximo ano. Os esforços desenvolvidos agora são apenas a primeira etapa de um longo processo, considera analista, James Brehm, fundador da James Brehm & Associates.

Os conflitos não pesam assim tanto na IoT empresarial, mas há a esperança de que a normalização reduza custos e produza combinações novas e úteis de dados.

"Precisamos de diálogo, mas estamos muito no início do processo", disse Brehm. Até mesmo os fornecedores de um mesmo grupo, em alguns casos têm estratégias conflitantes, e daqui a um ano, pode haver ainda mais empresas concorrentes a tentarem definir como a IoT deve ser feita, prevê.

Apesar de muitas manobras serem feitas nos bastidores, acabam por afetar os utilizadores. A "sopa de letrinhas" de grupos da indústria faz os compradores ficarem nervosos ‒ especialmente os consumidores ‒ com a possibilidade de serem marginalizados, diz Moorhead, da Moor Insights & Strategy.
"E com certeza, está a emperrar o crescimento da indústria."

Os conflitos não pesam assim tanto na IoT empresarial. Já existem interfaces com 30 anos, que precisam de tradução e alguns investimentos em trabalho de adaptação podem ser úteis em ambientes industriais, disse Moorhead. Ainda assim, há a esperança é de que a normalização em todos os sectores, eventualmente, reduzirá os custos e produzirá combinações novas e úteis de dados.

Futuro da IoT pode ser determinado apenas por um agente

Tanto nos ambientes domésticos ou empresariais nenhuma norma reinará com supremacia, prevê o analista da Machina Research, Andy Castonguay. "Este mercado é, em especial, de fragmentação e inovação, o que essencialmente não contribuiu nos trabalhos para se ter uma única interface entre dispositivos", disse Castonguay. Mas, como os outros, ele espera ver uma consolidação entre os vários grupos.

Para saber qual a especificação mais poderosa, o tamanho e a força do grupo de suporte pode ser bons indicadores, dizem os analistas. Apesar disso, o futuro da Internet das coisas, pelo menos para os consumidores, pode também ser determinado apenas por um agente com uma quota de mercado grande e uma boa ideia.

Os compromissos exigidos nos grupos da indústria, com muitos fornecedores concorrentes podem levar a soluções, menos capazes e menos fáceis de usar do que o ideal, considera Brehm. "Quantas pessoas trabalharam com a Apple para tornar as coisas interoperáveis no sucesso do iPhone ou do iPad?" questiona Brehm. "O sucesso foi fantástico e não foi necessário qualquer consórcio".



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