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Na Espanha, inovação com tecnologia beacon

Faculdade de Informática da Universidade Pontifícia de Salamanca experimenta uma nova tecnologia sem fio que pode ter vários usos, especialmente a localização em interiores

José Pichel Andrés/DICYT - Pesquisadores da Faculdade de Informática da Universidade Pontifícia de Salamanca (UPSA) começam a trabalhar com a tecnologia beacon, baseada em Bluetooth Low Energy ou Bluetooth 4.0. Por meio deste sistema, algumas balizas (beacons em inglês), podem enviar sinais para celulares próximos, o que tem inúmeras aplicações: desde a localização em interiores até ao envio de ofertas aos clientes e muitas outras possibilidades inexploradas.


Foto de alunos da Universidade de Salamanca


Os smartphones ou telefones inteligentes mais avançados começam a incluir os sensores necessários para captar este sinal, que tem um alcance médio de uns 50 metros e uma grande vantagem: apenas consome bateria. Se o celular tem a aplicação oportuna, os usos podem ser diversos.


Fotos de diferentes beacons


"Nos Estados Unidos já está a ser utilizado em centros comerciais, onde os clientes podem receber ofertas segundo o seu perfil", exemplifica Montserrat Mateos, membro da equipa de investigação TESEMOW (Tecnologias e Serviços de Mobilidade e Web). Como já fez anteriormente com outras, este grupo anda a testar uma das últimas novidades tecnológicas para aproveitá-la ao máximo. "Nosso objetivo é inovar, ir à frente para aportar alguma coisa à sociedade e que se possam desenvolver ideias e aplicações a partir dos nossos resultados", comenta.

Uma das principais utilidades pode ser a localização em interiores. Tal como o GPS serve de guia no exterior, a tecnologia beacon pode ser uma boa alternativa para indicar a posição de lugares ou pessoas no interior das edificações, onde o sinal do satélite não atinge. "Do ponto de vista da tecnologia, são dois sistemas que não têm nada a ver um com o outro, mas poderiam ter um uso semelhante, considerando que o GPS seria para o exterior e o beacon para o interior", indica a professora.

Com a tecnologia beacon cada baliza emite um sinal e o dispositivo móvel pode reconhecê-la e calcular a distância que os separa. Assim, se se colocam várias balizas em um lugar como a sede central da Universidade Pontifícia de Salamanca, o usuário poderia chegar até ao ponto desejado, como uma aula ou um escritório, como quando faz uma pesquisa através do GPS na rua. De fato, este projeto já está em andamento, liderado por Roberto Berjón, investigador do grupo TESEMOV, e um grupo de estudantes no âmbito do Clube Universitário de Inovação dessa instituição académica. Em todo o caso, a ideia é transferível para outros edifícios públicos, tais como hospitais e museus, mas também tem um grande potencial comercial: por exemplo, já há provas para verificar se é possível pagar sem passar pela caixa através deste sistema.

Os mesmos telemóveis podem tornar-se também emissores de sinal, embora para a maioria dos usos a instalação de um sistema de balizas parece mais adequada, uma vez que o custo de cada um destes elementos é relativamente baixo.

Alguns especialistas julgam que beacon poderia eventualmente substituir a NFC (Near Field Communication), tecnologia na qual Montserrat Mateos e o seu grupo têm trabalhado nos últimos anos, um sinal também sem fio, mas de curto alcance, que funciona ao aproximar fisicamente o telemóvel a poucos centímetros de uma etiqueta ou de outro telemóvel. Os investigadores da UPSA tem desenvolvido vários projetos com esta tecnologia NFC.

Anos de trabalho com NFC

Um destes projetos era um protótipo de pagamento por meio do telemóvel para os lugares de estacionamento pago de duração limitada (ORA, na Espanha). Outro permitia as pessoas cegas desenvolverem e administrarem a sua lista de compras utilizando o telefone. Um terceiro foi criado para facilitar a comunicação de pessoas idosas pouco familiarizadas com as novas tecnologias, uma vez que por meio do uso de etiquetas NFC associadas com imagens, podiam efetuar uma chamada aproximando o telefone de uma fotografia da pessoa com quem desejavam falar.

Os projetos NFC mais recentes serviram para o controlo do comparecimento às aulas ―que poderia ser extrapolado para outros usos, como o controlo dos trabalhadores nos seus postos de trabalho―. Ao entrar na sala de aula, os alunos só tinham de aproximar o seu telemóvel de um dispositivo ou do telemóvel do professor para a sua presença ser registada. A evolução desse sistema foi o projeto 'Clock in', apresentado na última edição do Clube Universitário de Inovação da UPSA, no qual os alunos são os protagonistas da investigação, que incluía como leitor uma placa de Arduíno, plataforma de hardware livre.

Após anos de investigação sobre esta tecnologia na UPSA, é precisamente agora quando o uso de NFC começa a generalizar-se. Um exemplo é que está incluído no novo cartão de identificação ou DNI eletrônico (pelas siglas do Cartão de Cidadão na Espanha). Portanto, "não acreditamos que beacon consiga substituir NFC, mas que convivam como dois sistemas complementares dentro da comunicação sem fio", assegura Montserrat Mateos.

Em geral, o objetivo do grupo de investigação TESEMOV é tirar o máximo partido dos smartphones e tecnologias com que estão relacionados: "trabalhamos para tornar o nosso mundo mais inteligente e mais acessível através do celular, um dispositivo que tem muitas potencialidades".

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