Nosso blog

Indústria do papel perdeu 10 vezes mais área nos fogos de 2017

A área ardida às empresas da indústria papeleira nos incêndios florestais do ano passado atingiu 12,3 mil hectares, quando a média registada entre 2008 e 2016 foi na ordem dos 1,2 mil.

Miguel A. Lopes/Lusa
Funcionário da fábrica tentando apagar incêndio florestal

Os incêndios florestais do ano passado resultaram numa perda para a indústria papeleira portuguesa de uma área 10 vezes superior à média registada nos nove anos anteriores.

De acordo com o boletim estatístico de 2017, divulgado pela Celpa, associação que reúne os grupos Navigator e Altri, a Renova e a Europac, a área ardida destas empresas atingiu os 12,3 mil hectares no ano passado, quando a média apurada entre 2008 e 2016 foi de 1,2 mil hectares.

Dos 12,3 mil hectares consumidos pelos fogos em 2017, mais de 10,5 mil foram eucalipto (também 10 vezes acima da média nos nove anos anteriores, que foi de mil hectares). Já 479 hectares foram pinheiro-bravo e 149 outras espécies. As empresas perderam ainda outros 1,1 mil hectares de outras áreas.
De acordo com a Celpa, da área sob gestão das empresas suas associadas, no ano passado 6,4% foram afectados pelos incêndios, quando nos últimos 10 anos esse impacto nunca ultrapassou os 2%.

Em Portugal, arderam em 2017, de acordo com o mesmo documento, 539,9 mil hectares, sendo 329,5 mil de povoamentos florestais, 170,6 mil de matos e 39,8 mil de agricultura. Esta área ardida representa 6,1% do território continental e revela um aumento de 221,7% face a 2016. No total, contabilizaram-se, em Portugal continental, 21.006 incêndios rurais, o que representa um aumento de 30,4% em relação ao ano anterior.

Segundo o boletim, entre 2008 e 2017 os matos e as pastagens foram a ocupação do solo mais afectada pelos incêndios, que contabilizaram, em média, 46,4% da área ardida anual, seguida do pinheiro-bravo (17,9%), eucalipto (16,8%), outros usos (12%) e outras espécies (6,5%).

Área de eucalipto diminui

De acordo com os dados da associação da indústria papeleira, as empresas que integram a Celpa são responsáveis pela gestão directa de 193,2 mil hectares, em propriedades próprias e arrendadas, o que corresponde a 2,2% do território nacional. Destes 193,2 mil hectares, 165,9 mil estão ocupados com floresta, sendo 149,1 mil área de eucalipto.

A superfície povoada por esta espécie diminuiu 1,7% face a 2016, quando ultrapassava os 151,7 mil hectares.

O regime jurídico aplicável às acções de arborização e rearborização, com o objectivo de travar a expansão do eucalipto em Portugal, foi aprovado no ano passado, mas apenas entrou em vigor em Março deste ano.

De acordo com dados da Celpa, em 2017, o esforço de plantação desenvolvido pelas suas associadas foi de 4.115 hectares, "tratando-se, na sua maioria, da reflorestação com eucalipto de áreas já ocupadas anteriormente por esta espécie".

Além do eucalipto, no ano passado verificou-se também uma redução da área de pinheiro-bravo em quase 30%. No caso do sobreiro, as empresas também registaram uma diminuição, mas de apenas 0,6% face a 2016.

Importações diminuem

No ano passado, a aquisição e o consumo de madeira de eucalipto aumentaram 0,1% e 1,1% respectivamente, tendo as importações representado 22% da madeira adquirida. Uma percentagem que está entre as mais reduzidas dos últimos anos. De acordo com dados da Celpa, o peso da aquisição da madeira no mercado externo chegou a ultrapassar os 31% do total de eucalipto adquirido. Mesmo em 2016, as importações representaram 24,5% das compras.

Em 2017, a quantidade de pasta vendida diminuiu 2,7%. O mercado comunitário absorveu 71,5% das exportações nacionais e o mercado nacional foi o destino de 8,4% das vendas de pasta para papel. Já a quantidade de papel e cartão vendida diminuiu 3,1% em relação a 2016, com as exportações a aumentarem 0,5% e as vendas no mercado nacional a descerem 32,1%. A União Europeia absorveu 61,9% das exportações nacionais de papel e cartão.

Rubem Sarmento
Infográfico sobre incêndios florestais em Portugal

Maria João Babo Rúben Sarmento - Infografia

comentários via Disqus