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É oficial. A música é, cada vez mais, algo que se aluga

É oficial: a música é cada vez menos algo que se compra (em formato físico ou em "download" digital). O consumo de música por "streaming" a partir de servidores na Internet não para de crescer.

As vendas de música por "download" digital voltaram a afundar-se nos EUA em 2014 e, no Reino Unido, caíram pela primeira vez. A perda de importância deste formato, outrora visto como o futuro da distribuição musical à luz da descida das vendas de CD, contrasta com o crescimento dos serviços de "streaming", como o Spotify, em que os utilizadores acedem a um servidor ("nuvem") e ouvem as músicas que quiserem, as vezes que quiserem, a troco de um pagamento mensal ou da publicidade. As vendas de discos em vinil também estão a aumentar.

Getty Images | AFP
Homem com headphone Roland ouvindo música por streaming
As vendas de música, em formato físico ou download digital, estão a cair. A música ouve-se a partir da nuvem.


Dados da Nielsen SoundScan publicados na quinta-feira indicam que, nos EUA, os "downloads" pagos de álbuns e músicas individuais caíram 9% e 12%, respetivamente. Um dos serviços mais utilizados é o iTunes, da Apple, e há vários meses que os dados apontam para uma descida das vendas. Nos EUA, foram vendidas cerca de 1.100 milhões de músicas no formato de "download" digital, abaixo dos 1.260 milhões em 2013, o que indica que a tendência é para que seja cada vez menos importante para os utilizadores serem donos de uma faixa ou de um álbum. É que, em contraste, aumentou em 54% o "streaming" de música, para 164.000 milhões de faixas ouvidas.

A popularidade dos serviços de música por "streaming" disparou graças à proliferação dos "smartphones" e das ligações rápidas à Internet móvel e por fibra ótica. Ao contrário do que acontece com o serviço comum do iTunes, em que cada música é descarregada da Internet para o computador (ou outro dispositivo) e paga à unidade ou por álbum, nestas novas plataformas o utilizador acede, pela Internet, a uma gigantesca base de dados de música que está na "nuvem" - ou seja, em servidores acessíveis remotamente - e ouve o que quiser, as vezes que quiser, pagando por isso uma subscrição mensal que, no caso do Spotify, é de 6,99 euros por mês. À semelhança de outros concorrentes, como o francês Deezer, é também disponibilizado um serviço gratuito para o utilizador, com algumas limitações, em que existe publicidade.

Os sinais de inversão da tendência são visíveis não só nos EUA mas também no Reino Unido, dois dos maiores mercados mundiais de consumo de música. No Reino Unido, as vendas de música por "download" caíram pela primeira vez em mais de uma década, desde que o iTunes começou a ganhar popularidade. É devido a esta tendência para o aumento do consumo de música por "streaming" que a Apple comprou a Beats Electronics, que além de produzir uma marca de auscultadores tem um serviço de música que deverá ser fundido com o iTunes nos próximos meses. E também a Google está, através do Youtube, a lançar um serviço deste tipo. O futuro da indústria musical está, cada vez mais, nas nuvens.

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