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A PT vai a caminho de ser uma empresa de vão de escada

Nota: o texto abaixo é demolidor e mostra que a política de privatizações deste Governo irá destruir todas as grandes empresas nacionais, criar desemprego, miséria e acabar com uma nação com mais de 800 anos de História e independência. Resistimos séculos às tentativas de anexação por Castela derrotamos as invasões napoleônicas, será que não conseguiremos apear a corja de traidores da Pátria, de vendilhões do templo que nos governam, e salvar o que ainda resta?) - Comentário, Estátua de Sal.

Armando Pereira, atual chairman da PT e homem de absoluta confiança do enigmático multimilionário francês de origem israelita, Patrick Drahi, o todo poderoso dono da Altice, deve pensar que somos todos idiotas. Agora apadrinhou um denominado «Projeto Valor», um inquérito dirigido aos 11 mil trabalhadores da PT para saber que funções têm desempenhado ao longo dos anos, que formações acumularam e se estão disponíveis para mudar geograficamente do local onde trabalham. Ora como só por absurdo se pode imaginar que a PT não tem todas estas informações em arquivo no seu departamento de recursos humanos, a conclusão é óbvia: o que se pretende é encontrar motivos para um vasto programa de demissões, que vai ocorrer depois das eleições legislativas de 4 de outubro.

Desde que a Altice entrou no mercado português, comprando a ONI e a Cabovisão, utiliza sempre a mesma técnica: suspende e adia os pagamentos aos fornecedores e, para quem fica com a corda na garganta e precisa de receber de imediato, propõe-lhes fazer isso mas com um corte de 30% a 50% naquilo que têm direito a receber; quanto aos trabalhadores procede rapidamente a demissões. No caso da PT está a seguir exatamente o mesmo padrão: suspensão e arrastamento do pagamento aos fornecedores; e prepara agora as demissões.

Armando Pereira, o herói de Vieira do Minho, como lhe chamou o ministro António Pires de Lima, por ter ali inaugurado um «call center» para 40 pessoas em instalações cedidas pela autarquia local, não está minimamente preocupado com a qualidade de serviço que a PT presta aos seus clientes ou com a sua importância na economia portuguesa. O que verdadeiramente domina a sua ação é reduzir de imediato os custos com pessoal e fornecedores e libertar o maior montante possível de «cash» para amortizar parte do enorme endividamento a que a Altice tem recorrido para fazer compras um pouco por todo o mundo. E para atingir rapidamente esse objetivo, a ética é um enorme empecilho.

Até agora o que a «excelência» da gestão de Armando Pereira conseguiu foi tomar sucessivas medidas que vão tornar, a não muito longo prazo, a PT numa empresa sem qualquer relevância internacional, nacional ou na área da investigação, uma empresa de vão de escada e que deixou de ser confiável para com os seus clientes e fornecedores.

O fato é confirmado pela Associação Nacional de Empresas de Tecnologia de Informação e Eletrônica (ANETIE) que diz que o que a PT está a fazer, em matéria de adiamento de pagamento e pressão sobre os preços, «vai além do aceitável». Há empresas que não recebem há três e quatro meses e a pressão sobre as mais pequenas está a conduzir algumas à beira do colapso. Quinze dias depois de ter assumido a gestão da PT, em meados de junho, a operadora começou a enviar cartas a todos os seus fornecedores, propondo uma redução unilateral dos preços entre 15% e 30%, uma técnica que já tinha utilizado quando comprou a ONI e a Cabovisão.

A libertação de «cash» rapidamente é a única coisa que motiva Armando Pereira e a sua equipe. A aposta na pesquisa, no desenvolvimento de novos serviços, no cumprimento do serviço universal, na internacionalização ou na motivação da equipe são coisas absolutamente secundárias, só referidas para Pires de Lima e Paulo Portas (que recebeu em Lisboa o patrão da Altice antes deste comprar a PT) não ficarem mal na fotografia.

Como consequência, os trabalhadores da operadora vivem uma situação de desmotivação, desânimo e medo, o que está a ter reflexos no serviço prestado pela PT aos seus clientes, que começa a apresentar falhas e deixou de anunciar qualquer inovação. Foi isto que até agora a «excelência» da gestão de Armando Pereira à frente da PT conseguiu: tomar sucessivas medidas que vão tornar, a não muito longo prazo, a PT numa empresa sem qualquer relevância internacional, nacional ou na área da investigação, uma empresa de vão de escada e que deixou de ser confiável para com os seus clientes e fornecedores.

Quanto às demissões, elas só ocorrerão em força depois de 4 de outubro. É fácil, facílimo imaginar porquê. Quem, a nível político, apadrinhou a Altice, não quer ser julgado pelos seus atos relacionados com o triste destino da PT antes dos eleitores irem votar.

Nicolau Santos

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